Até hoje, nunca vi mas já ouvi dizer que se supera um amor com outro amor. Sempre que escrevo, falo por mim, e minhas experiências pouco ortodoxas com relação ao amor e suas desventuras. Sempre me pego com essa mania besta e até infantil de querer voltar no tempo, nas coisas boas e irresponsáveis de outrora, fico imaginando como seria minha cabeça de hoje, com a minha falta de noção dos meus vinte e poucos anos. Naquela época eu queria saber como era chegar aos 40 anos, hoje eu quero voltar aos 20 em muitos momentos. Posso dizer que hoje estou muito bem, melhor do que na juventude posso assim dizer, mas seria bom se o tempo parasse de vez em quando, que pudéssemos dar um pause, mesmo porque nada dura para sempre, e o sempre, sempre acaba, e se você já se apaixonou de verdade pelo menos uma vez na vida, você sabe do que estou falando, agora se nunca se apaixonou, não sabe, nem conheceu a estabilidade perturbadora do caos anunciado, primeiro em descompassos, parecendo que o coração bate na garganta, depois aquela falta de ar e a boca seca, e uma vontade de estar e ser um, do olhar distante e próximo, das mãos se roçando, do encontro inesperado na padaria, a conversa solta na volta pra casa, coisas assim.
E depois de um tempo, uma desilusão, uma despedida, passando os dias estrebuchado no sofá,acordando as três da tarde, de ressaca, para de noite novamente se perder entre festas sem fim, bocas amargas e beijos secos de batom cor de cereja, procurando apenas pelo perfume, sensações parecidas.
E numa dessas tardes de ressaca, achei uma camiseta sua, rasgada aonde ainda recordava sua tez alva por entre os buracos propositalmente calculados, ainda tinha seu perfume, e a duvida me assolou.
-Ligo, ou não Ligo?
Liguei, caiu na secretária eletrônica. Repeti, De novo, na terceira vez eu de olhos cerrados torcendo, ela atendeu com o sonoro:
-O que voçê quer? Me esqueçe, não me liga mais... E desligou na minha cara. Foi como se tivesse tomado um nocaute do Hollyfield, direto no queixo...bumm
E foi o impulso necessário para entender que aquela garota linda, da pele branca e olhos azuis profundos, realçados pelo cabelo negro, como seu humor, fosse a garota com o tempo de validade vencido, que eu comi e passei mal depois, mas também foi o elixir paregórico, que me fez vislumbrar outras possibilidades. Ela não foi a primeira, nem a segunda, nem foi a última, mas foi uma grande decepção, dentre muitas, foi o produto importado, que estava estragado e que me deixou doente.
A camiseta? Eu a guardei até um tempo atrás, junto com outras coisas, cartões, agendas, fotos, presentes, dentro de uma caixinha de lembranças que, por final coloquei fogo num belo sábado de lua, e lucidez, degustando um bom bourbon, a luz da fogueira e do alívio de ter deixado algumas decepções pra trás.
Exorcizei um lindo fantasma que rondava meu sono e minhas taras...
Um comentário:
Quase uma autobiografia minha... Preciso aprender a seguir em frente e abandonar os fantasmas do passado...
Super sua fã numero 1
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