O brasileiro médio acredita no amor. Até aí, tudo bem. O problema é no que ele acredita. Principalmente quando o romantismo virou um plano “premium”: benefícios ilimitados, zero fidelidade contratual e nenhuma cláusula de responsabilidade.
Existe hoje uma matemática afetiva curiosa: exigências infinitas divididas por esforço mínimo. O parceiro ideal precisa ser provedor, sensível, forte, educado, culto, decidido, ambicioso, disponível, emocionalmente estável e financeiramente blindado. Em troca, recebe o pacote básico: presença intermitente, cobrança constante e a clássica frase “me entenda” — sem manual.
Mas eis que entra em cena uma figura cada vez mais desprezada no cardápio moderno do afeto: o homem feio, aquele sem filtro, sem skin care de oito passos, sem poesia no Instagram — mas com testosterona alta, coluna ereta e decisão rápida. O tal “homem com H maiúsculo”, que não fala bonito, mas age. Não promete mundos, resolve problemas.
Enquanto isso, a gourmetização masculina segue firme: homens cada vez mais dóceis, performáticos, emocionalmente disponíveis demais e funcionalmente inúteis na hora crítica. Muito discurso, pouca ação. Muita sensibilidade… até a primeira ameaça real.
Do outro lado, cresce também a masculinização feminina. Não no sentido de autonomia — que é legítima — mas na ilusão de autossuficiência absoluta. Músculos definidos, testosterona elevada, discurso de independência total e a crença sincera de que homens são dispensáveis. Até que o cenário muda. Até que o aperto chega. Até que o perigo aparece.
E é aí que a realidade entra sem pedir licença.
Quando a porta é arrombada, quando o carro quebra no lugar errado, quando a situação sai do controle, quando não há tempo para debate emocional ou postagem reflexiva… não é o homem gourmetizado que resolve. Não é o discurso empoderado. Não é a legenda motivacional.
Quem resolve é o feio.
O forte.
O bruto.
O homem que age antes de explicar.
Curiosamente, o mesmo homem ignorado, ridicularizado ou considerado “tosco” é o primeiro a ser chamado quando o mundo real aparece. Porque igualdade funciona bem no discurso, mas o instinto humano ainda reconhece quem sustenta, protege e enfrenta.
Antigamente, isso era óbvio. Hoje, precisa ser lembrado — o que por si só já diz muito.
No fim, sobra frustração geral. Mulheres cansadas porque exigem um tipo de homem que desprezam. Homens perdidos porque foram ensinados a negar sua própria natureza. E relações frágeis, baseadas em fantasia, não em função.
Amor nunca foi sobre estética, narrativa ou performance social. Sempre foi sobre competência, presença e responsabilidade.
E a verdade incômoda é simples:
na hora do aperto, não é o discurso que salva.
É quem resolve.
E isso, gostem ou não, ainda tem testosterona envolvida.
