quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Sem tempo...




Ao final deste tempo todo, as vezes e tão raramente, quase nunca, ainda sonho com você, E ainda foi assim até bem pouco tempo atrás, cruzamo-nos em alguma rua do bairro, vinha acompanhada com algumas crianças, e eu estático fiquei ali a observar. Nossa!!! Passaram-se muitos anos, e os anos lhe fizeram bem, amadureceram aquela beleza tosca juvenil, transformando-a em uma mulher linda, segura de sí e sua beleza, reparei nos cabelos longos e bem cuidados, o perfume ainda era o mesmo, tem coisas que não mudam, e continuei a te olhar, te seguir, a alguns metros, buscando seu olhar, seus olhos claros, e você, você olhou através de mim, com aquele sorriso branco, como se não tivesse ninguém ali, como se a rua fosse só sua, um parque de diversão em final de tarde, em uma mistura de sons distantes, imagens em slow motion, e sem parar, continuamos nossos caminhos, cada um no seu, você sem enxergar e eu invisível, como nos tempos da escola, continuamos nossos caminhos. Nada mudou...














A Superação do Amor



Até hoje, nunca vi mas já ouvi dizer que se supera um amor com outro amor. Sempre que escrevo, falo por mim, e minhas experiências pouco ortodoxas com relação ao amor e suas desventuras. Sempre me pego com essa mania besta e até infantil de querer voltar no tempo, nas coisas boas e irresponsáveis de outrora, fico imaginando como seria minha cabeça de hoje, com a minha falta de noção dos meus vinte e poucos anos. Naquela época eu queria saber como era chegar aos 40 anos, hoje eu quero voltar aos 20 em muitos momentos. Posso dizer que hoje estou muito bem, melhor do que na juventude posso assim dizer, mas seria bom se o tempo parasse de vez em quando, que pudéssemos dar um pause, mesmo porque nada dura para sempre, e o sempre, sempre acaba, e se você já se apaixonou de verdade pelo menos uma vez na vida, você sabe do que estou falando, agora se nunca se apaixonou, não sabe, nem conheceu a estabilidade perturbadora do caos anunciado, primeiro em descompassos, parecendo que o coração bate na garganta, depois aquela falta de ar e a boca seca, e uma vontade de estar e ser um, do olhar distante e próximo, das mãos se roçando, do encontro inesperado na padaria, a conversa solta na volta pra casa, coisas assim.

E depois de um tempo, uma desilusão, uma despedida, passando os dias estrebuchado no sofá,acordando as três da tarde, de ressaca, para de noite novamente se perder entre festas sem fim, bocas amargas e beijos secos de batom cor de cereja, procurando apenas pelo perfume, sensações parecidas. 
E numa dessas tardes de ressaca, achei uma camiseta sua, rasgada aonde ainda recordava sua tez alva por entre os buracos propositalmente calculados, ainda tinha seu perfume, e a duvida me assolou. 
-Ligo, ou não Ligo?
Liguei, caiu na secretária eletrônica. Repeti, De novo, na terceira vez eu de olhos cerrados torcendo, ela atendeu com o sonoro:
-O que voçê quer? Me esqueçe, não me liga mais... E desligou na minha cara. Foi como se tivesse tomado um nocaute do Hollyfield, direto no queixo...bumm

E foi o impulso necessário para entender que aquela garota linda, da pele branca e olhos azuis profundos, realçados pelo cabelo negro, como seu humor, fosse a garota com o tempo de validade vencido, que eu comi e passei mal depois, mas também foi o elixir paregórico, que me fez vislumbrar outras possibilidades. Ela não foi a primeira, nem a segunda, nem foi a última, mas foi uma grande decepção, dentre muitas, foi o produto importado, que estava estragado e que me deixou doente.

A camiseta? Eu a guardei até um tempo atrás, junto com outras coisas, cartões, agendas, fotos, presentes, dentro de uma caixinha de lembranças que, por final coloquei fogo num belo sábado de lua, e lucidez, degustando um bom bourbon, a luz da fogueira e do alívio de ter deixado algumas decepções pra trás.

Exorcizei um lindo fantasma que rondava meu sono e minhas taras...

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Anúncio da Vida Real


Tema desse post...


Em se tratando de relacionamentos, posso dizer que, você pode viver longos períodos bem animado, (diga-se com tesão), e para isso e só você não se envolver com gente afetada e estereotipada, mas com pessoas em que você se sinta bem, e sinta a mesma emoção ao contemplar os olhos e o pôr do sol sobre o mar. Alguém que você sinta que vale a pena juntar as escovas de dente, sem pensar no amanhã, no tempo, nas contingências. Para isso faça um anúncio sincero de você mesmo, enumerando qualidades que você acha importantes para alguém e para você mesmo.

Nos dias de hoje, que a futilidade ganha importância estratosférica, aonde o mais importante que o sentimento, o amor, é ter um álbum com fotos legais na balada em lugares caros e da moda, e status de relacionamento serio no facebook, aonde o imaginário e virtual, valem mais que aquele friozinho na barriga e a língua enrolada sem saber o que dizer.

No virtual, todo mundo é feliz, bem resolvido, com um ótimo emprego, a família é exemplo, tudo funciona, se tem os melhores amigos, uma vida de fazer inveja, mas tudo não passa de uma ilusão, uma peça tragicômica mal enredada por um roteirista de cabaré, alicerçada por uma vida medíocre, sem graça, com gente feia, amigos malas e na maioria bêbados, a família cheia de irmãos, primos, sobrinhos, e coisa parecida, trabalhando pra ganhar um salario mínimo, e aí me perguntam, que mal há nisso? Da minha humilde opinião, nenhum, cada um vive do jeito que quer, se ilude como quer, e transforma sua vida na droga necessária para viver (suportar) sua trajetória ou uma vida a dois.

Mas e de novo perguntam, e o amor? E o tesão? E a emoção?

O amor é uma receita complicada com várias misturas de elementos perigosos e pontos de ebulição e fusão que somadas aos fatores de pré disposição à fatalidade, destino entre outros, determinam o resultado bom ou ruim, diferente de algum tempo atrás, tudo era tão mais simples, e o teatro era cara a cara, se comprava o que se via se apalpava, e hoje, conseguiram transformar tudo em propaganda, diga-se propaganda enganosa, hoje já não se pode se apaixonar a primeira vista, precisa-se da comprovação de que o que você viu é aquilo mesmo, se não é um perfil de rede social, se a produção feita para a balada condiz com a realidade do dia a dia, e do meu ponto de vista prático se os peitos são peitos mesmo, ou silicone ou até mesmo soutien com bojo, e se o caráter se sustenta como um seio natural, ou se cai no pé como uma jaca.

Me acham exigente, mas depois de tudo isso, creio que não sou, ou acho que não sou, tenho certeza que não sou, porque exigir o mínimo, que é gostar de mim como sou e não do que podem tirar de mim, já faz uma grande diferença. É engraçado esse parâmetro peculiar dos relacionamentos de balada, regados a bebida barata. Para mim não existe fantasia, existe química, física, biologia, anatomia, e a psicologia de Freud só serve para explicar o inexplicável, o óbvio ululante e também o que descrevi de mim mesmo, como uma noticia ou tirinha engraçada, romantica, sensual e tarada, atenciosa e carente, que só se encontram, nos classificados de jornal, lá nas ultimas paginas aonde ninguem lê, em letras minusculas.




Depois de um tempo... O retorno

Música que esta rolando...

Depois de uns meses de férias, algumas (muitas) viagens, muita gente diferente (nova), algumas experiências legais, retorno ao blog, escrevendo situações cotidianas, falando sobre assuntos diversos e outras atualidades de relacionamentos e, mulheres( meu tema preferido!).

Desenterrei muitas coisas legais, histórias hilárias e algumas até broxantes. Bem chega de blá blá blá e vamos lá...

Nesses meses de férias ou como digo, dias e dias de pura preguiça mental, ócio contemplativo, e sessões de nostalgia juvenil, me fizeram relembrar algumas figuras de minha juventude como um filme de sessão da tarde, as aventuras que muitas vezes eram regadas a puro whisk, boa música ( para criar coragem, já que sempre me achei um cara sem atrativo) e mulheres... Ah sempre elas...
Ora, vocês devem estar se perguntando? Que porra é essa? O que tem a ver?

É por trás dos copos de uísque que já tomei, se escondem muitas histórias, algumas tão verdadeiras que não deram certo, outras mais falsas do que uma nota de 3 reais, não por serem falsas no sentido da palavra, mas por não valerem um vintém por sua essência tosca, que renderam historias como essa. Eu admito que houve um tempo em minha vida que me perdi, pelo meu medo, por não ter confiança no meu taco, ou pelas minhas desculpas esfarrapadas e pelo meu gosto nada convencional por paladares fortes aventuras extravagantes e nem um pouco suaves, bem diferente da minha visão de hoje. Vou pular toda essa enrolação e explicar-lhe essa parte da minha história. Mas, antes, um aviso: eu gosto de brincar com metáforas e usar delas pra demonstrar mais inteligência do possam supor entender, e interpretar de varias formas, de acordo com a conveniência do momento. E esse português rebuscado cheio de vírgulas e construções verbais não tem nada de culto, nada mais e do que um pretexto articulado e envolvendo do que eram minhas aventuras.
Eu frequentava um boteco todos os dias, eram idos dos anos 90. Era genial a visão de mulheres bonitas, de todos os jeitos, era o point da época, e elas desfilavam disfarçando a sua futilidade com um sorriso, a gana de arrumar um trouxa, e a percepção de que morrem de medo de ficarem sozinhas. Tinha também desses caras que gastavam todo o salário pagando drinks na esperança de levar uma delas pra cama. E tem os típicos canalhas bonitões que só piscavam e conseguiam a gata da noite numa bandeja. Meu tipo era mais discreto, desses observadores. Não me entendam mal, eu era mais simpático até do que bonitão e na época tinha bastante dinheiro que o sucesso no mercado pecuário pôde me render. Usava jeans e botas importadas bem na moda, com cortes que caiam bem. Toda aquela bobagem da moda fashionista que alguém comentou um dia que era legal e as mulheres gostavam. E faz muitos anos que eu não vejo a mínima graça em algum desses personagens, além do meu copo e da garçonete gostosa que o enchia, que me vagam na memoria ate hoje.
Eu não me achava nem me acho o cara certo pra falar de amor. Um ilusionista, talvez, quem sabe. Eu tinha meus encantos, e conseguia lá as mulheres que queria com um bom papo e uma forma de conduzir na dança que só eu sabia, com ritmo e molejo.. Altas, baixas, magras, esbeltas, latinas, europeias, paraguaias, todo tipo que você pensar. E você acha que eu era feliz? Era muito... ou não era nem um pouco. Eu disfarçava a maior frustração da minha vida até então, com noites de farra e amigos num apartamento bem localizado no coração da cidade, na Avenida Mato Grosso, ou nos locais da moda e pegação. Eu era um desses desiludidos iludidos da vida que nunca iriam encontrar a garota certa (pelo menos eu achava isso!) pelo simples fato de já tê-la encontrado e ter perdido a oportunidade (ledo engano). Coisa de garoto novo que não sabe lidar com a pressão do dia-a-dia e com as tensões de um relacionamento sério. Aquele medo de perder a liberdade, de se prender, de perdê-la em caso de passo em falso, uma mijada fora do pinico. Hoje em dia eu posso dizer que é tudo um bando de bobagens que a gente inventa pra não se privar de viver algumas coisas boas da vida e de quebrar a cara com elas. Eu podia ter quebrado a cara uma, duas, três vezes, cem vezes e estar com ela agora (ou não...) Ou ter me dado muito bem na conduta do relacionamento e ele ter chegado ao fim do mesmo jeito. Mas não, eu simplesmente tive medo de seguir em frente e fiquei parado la, naquela mesa. Ela seguiu.
E essa casca grossa revestida de sucesso e confiança só servia conquistar mulheres bonitas que  durariam umas poucas semanas na minha vida. Perdi o interesse por quem não me jogasse no chão e me fizesse mudar toda a minha visão de mundo (engraçado isso...). Se não for pra ser assim, não precisava nem vir. Jogos de conquista eram meu ponto fraco, mas até disso eu enjoei depois de um tempo. É aquela velha história: chega uma hora em que se não for pra ser amor, que seja nada. E que durasse tão pouco quanto uma garrafa de vodka na mesa de um alcoólatra. Não sou romântico, não. Longe de mim. Sou mais um homem que resolveu contar, uma parte decepcionante e enriquecedora da vida a vocês, em que a maior desculpa da minha vida era que não servia para relacionamentos (ou não servia até alguns anos atrás). Eu sirvo se for com quem também me serve da maneira certa (mudei muito...). Meninas bonitas seriam apenas meninas bonitas depois da festa, e uma doce lembrança de conquista em um caderninho. Mas e tudo aquilo que interessava? Aquela preocupação em atender um telefonema ou mandar uma mensagem bem escrita. Tudo aquilo que era fundamental numa relação que não encontrava em mais ninguém? Acreditem, não estou comparando meus relacionamentos com o que ela, e outras foram em minha vida. Só digo que ela, (e também todas as outras..) me estragaram (melhoraram...) pro mundo. E eu sou e vou continuar sendo (...) sempre aquele cara com que não se tinha a possibilidade de futuro nem de um presente breve. Hoje vejo que tudo isso são cicatrizes de guerra, marcas que exibo com um certo orgulho hétero...
E pode confiar em mim. Existem e sempre vão existir mais alguns caras sentados em bares ao redor do mundo, rindo da vida, destilando a imagem do sucesso e da felicidade. Eles se sentem mais vazios que o meu copo naquele momento de mais de vinte anos atras. Caras como eu eram, e ainda são mais comuns do que vocês imaginam. E mulheres bonitas ou não,  também continuam sua historia de batalha, exibicionismo e conquistas em busca do amor, ou de um besta para lhe bancar as contas. 

Ah tempos bons eram aqueles...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Minha melhor metade....

A sua melhor metade não respeitas linhas. Pula cordas, desvia de cercas e brinca de subir em árvores para estar com você. Ela não é uma das metades comuns que você encontra pela vida, nem uma das metades que você já esbarrou por aí. Ela é sua, e não de outra pessoa qualquer. A sua melhor metade não te completa, mas te faz companhia. Ela é melhor que uma metade só porque é um inteiro. E se doa por inteiro pra ser mais que um só com você. A sua melhor metade é bonita sem espelho e reflete em você de forma que nenhum deles pode ver. Ela é passageira ou fica pra sempre. Ela já veio ou ainda vai vir ou pode ter ido embora. Mas não adianta que escrevam canções e escrevam roteiros e escrevam histórias e escrevam destino e se esqueçam dos pontos e se esqueçam das vírgulas e se esqueçam de tudo: a sua melhor metade continua sendo sua. A sua melhor metade nao sabe andar de bicicleta e segura o banco pra você não cair. Ela atravessa a rua ajudando velhinhos e te deixa admirado do outro lado com a bondade. Ela sabe ser gentil com o garçom por natureza e não vai traçar planos e fundos para te impressionar. A sua melhor metade falha e pede desculpas. Ela se fere e se machuca e se perdoa e te perdoa e fala coisas da boca pra fora e bate a porta e vai embora e volta arrependida. Mas é só sua quando olha bem fundo nos seus olhos e começa a rir, porque ela não consegue manter um ar sério perto de você. É que você contagia a sua melhor metade com algum riso, por mais estranho ou alto ou fino ou fora de ritmo ou fora de ordem ou fora de tom que você seja. A sua melhor metade joga no celular aquele joguinho chato e se veste bem dependendo da ocasião. Ela entra em lojas e faz caretas na vitrine e se acha infantil e te dá colo quando você sente falta de casa. Ela é meio criança, assim como você. Ela é teimosa e faz biquinho, independente do sexo, da cor, da religião ou do assunto do momento. A sua melhor metade canta opera italiana e não fala inglês e lê livros que você nunca ouviu falar. Ela coleciona um montão de lembrancas de lugares e adora tocar o sino da porta da frente pra avisar que chegou. A sua melhor metade é uma surpresa. Porque não sabe quando vem, mas ela vem. E vem com flores ou com vinho ou com rosas ou com aquele vestido-cor-de-mar ou com aquele chapéu engraçado ou vem sem nada e deita com você. Ela é quente e te faz sentir calor no frio e calor em dias de sol. Ela te faz transpirar de alegria, de felicidade, de frio na barriga, de medo de perder, de dor de barriga porque comeu muito bolo de chocolate. Nah…a sua melhor metade é comilona, sim. E você acha graça quando ela se lambuza de chocolate ou faz bigode de café ou suja o nariz de sorvete ou joga creme chantilly no seu rosto ou quando faz a barba de shampoo. A sua melhor metade não está num conto de fadas, nem num reality show, nem nos tal bares e esquinas e muito menos nessa vida virtual que você leva. Ela tá por aí ou por aqui e não tem nada de encantadora aos olhos dos outros. A sua melhor metade toca flauta e faz um som de vez em quando e você passa direto e parece nem ouvir (mesmo que isso seja dentro de casa). Ela é humana e você se esquece disso às vezes jogando toda a culpa, ou a calma, ou o amor, ou a esperança ou o que quer que seja em cima dela. Mas calma… Não se preocupa. Ela é sua. Tão sua que faz barulho baixinho pra não ter acordar e anda na ponta do pé por aí. Tão sua que fica corada quando você olha de relance e descobre um olhar terno e meio abobado na sua direção. Tão sua que é pura desordem, puro pudor, pura energia e pura fantasia (igualzinha a você). Ela te faz inteiro e te dá a mão no fim do show, da padaria, da roda de samba, do shopping center e te deixa conduzir a coisa toda. A sua melhor metade gosta de te ver dormindo e dorme junto ou do outro lado do mundo pensando em você. Ela é meio suave e calma, meio nostálgica e todas essas coisas que você já sabe de cor. A sua melhor metade, na verdade, é como essa canção de ninar que você toca toda noite. Boa noite, meu bem.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Cada volta é um recomeço...

TRILHA SONORA: AO SOM DE ANNA NALICK....




        Acho que te devo um pedido de desculpas.Um não, mil!!! É que nem eu mesmo gostava muito de mim, e ficava meio assustado quando alguém me dizia algo bom aos ouvidos. Você parecia minha amiga, só minha amiga. Você falava como uma amiga. Me cumprimentava como amiga. Me telefonava e me convidava para cinemas como uma amiga. Seu riso era de amiga. O seu abraço era de amiga. Mas eu devia ter desconfiado, seus cabelos sempre tiveram cheiro de namorada. Existe algo errado numa amizade quando o resto do mundo parece chato e nós os únicos legais, os únicos a ver coisas engraçadas nas pessoas ao redor, ou sair pra ver gente feia e se divertir com isso.

         Mas, conhecer você e acabar sendo seu parceiro de pipoca e coca-cola é bom. Bom como ler uma letra bonita sem poder escutar a incrível música por trás dela. Como planejar um final de semana pra sair e ficar sem um puto furado no bolso, ficar em casa e mesmo assim se divertir e rir até a barriga doer. Descobrir uma ruazinha bonita no seu bairro e ser assaltado e depois achar o ladrão tomando cerveja. Você é como a chuva no meu churrasco. Você é o show do Toiço e do Frango que não consigo ver porque eu acho muito gay. Você é a deliciosa torta de chocolate e limão que para comer eu preciso estar presente no aniversário de 90 anos de alguma conhecida da minha mãe. Sou alguma panicat tentando converter um gay em "A Razão do Meu Afeto". Você é minha pipa enrolada nos fios de alta-tensão. Você é meu peixe novo que morreu na primeira semana. Você é o irmão gêmeo malvado que eu descobri a existência. Você é o game "Fifa 2016" que nem foi lançado e custa quase dois mil legais no Paraguay. Você é como uma baleia em extinção querendo viver na minha piscina de mil litros. É como se eu finalmente aprendesse a voar e você fosse a Kriptonita. Eu sou o país independente que você não deixa em paz. Você é o braço que eu perdi tentando andar de bicicleta novamente. Você é o Barcelona vs Real Madrid que não passa na minha tevê. Sou o Midas louco pra te beijar a boca sabendo que tudo que ponho a mão vira ouro. É como abrir minha lata de refrigerante e descobrir um camondongo morto boiando dentro. É como criar coragem pra subir no palco cantar "Love me Tender" e lá de cima enxergar você no guichê, pagando pra ir embora.

Sei que andei falando coisas sem pensar. Me esforcei pra deixar quieto, ficar de boca calada, não fazer merda. Quase deu certo. Você sabe, sou meio bicudo, enjoado. Olha, sei que andei falhando todas essas vezes, nos últimos meses. Em minha defesa, não era bem eu. Só estava tentando ser uma outra coisa, sei lá, algo que pudesse merecer você. Como eu poderia adivinhar que alguém como você gostaria de mim, assim desse jeito atrapalhado e muitas vezes chato pra caraio que eu sou? Vamos ser sinceros, pra conquistar você tinha de ser de rali de regularidade, bater o tempo todos os dias, cuidar da checagem, do tempo. Contando só a arrancada eu não teria a menor chance.

Um dia, eu sei, você vai entender os meus motivos. E talvez eu os entenda também. Você estava meio etílica pelas amarguras da vida, mas sei que foi honesta, pelo menos na hora em que disse aqueles troços. Não sei o nome disso que estamos sentindo um pelo outro e também não me importa. Pode ser o ápice ou o precipício, e tudo bem. E também não sei se teremos habilidade para cultivar isso por três semanas ou por três décadas inteiras. Só sei que agora estou interessado em saber como será o próximo passo.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Rede Social ou sexual???

TRILHA SONORA PARA ESSE POST


Fazia tempo que não escrevia sobre o cotidiano, pois estava e ainda estou, digamos, em uma completa e satisfeita preguiça mental, devido a um amor totalmente correspondido e dias e mais dias de carinho, noites e dias dormindo e acordando juntinhos, café na cama, sexo da melhor qualidade, com muitos planos a dois, projetos e a coisa fluindo, mas hoje, e exatamente hoje, me bateu uma certa inquietação, um certo quê curiosidade, de perceber o quanto a felicidade alheia provoca nas outras pessoas.
Vi frases nas redes sociais do tipo: NÃO POSTE SUA FELICIDADE, A INVEJA TEM FACEBOOK, vi também fotos de casais apaixonados, mas que se todo mundo observar, ou a foto é antiga, ou se for recente, foi tirada antes de se separarem, pois tem uma foto dela no facebook da amiga beijando outro, e mesmo estando eu contrariado, vejo que tal frase tem um certo fundamento. Falo isso porque fiz o seguinte, somente para constatar minha teoria, reativei um perfil em uma rede de encontros, e coloquei meus dados, todos verdadeiros, inclusive com fotos, e uma anotação inquietante, no estado civil, casado, e em outro campo, coloquei a seguinte frase: a procura de mulheres interessantes independentes, com cabeça aberta, pronta para novas aventuras ou apenas um lance, sem compromisso, apenas sexo etc e tal. Foi o que bastou para chover de mensagem, algumas curiosas, algumas estranhas, outras totalmente sem noção ou indignadas, mas a maioria com muita curiosidade de ter um romance ou testar seu poder de sedução, saber qual que é o lereado ou apenas para estragar ou importunar.

Sexo é bom? Claro que é, desde que você saiba exatamente o que quer, e isso o homem sabe exatamente o quer, sexo. A mulher muitas das vezes não, me desculpem as mulheres, elas querem romance, ou competição, mulher não se arruma ou compra lingerie sensual para se despir para o homem naquele momento, mulher quer mostrar para outra mulher, que tá mais arrumada, maquiada, com o melhor sapato e está mais gostosa ou a mais foderástica. Meu conselho: Quer romance? Compre um livro porque  em uma rede de encontros virtuais, 99.9% dos homens sabem muito bem o que querem, sexo, pouco ou muito, mas com qualidade e tesão.

Ah e para não fugir do assunto, sem querer dar conselhos, a felicidade está no que realmente vale a pena, uma xícara de café ou uma foto significante a dois, a felicidade se vive todos os dias em pequenas doses de companheirismo, amor, e gestos simples. Grandes roteiros, viagens para a Itália a bordo de um transatlântico que pode afundar ou te marear, são coisas de Hollywood, cenas para se ver no cinema comendo pipoca, a vida não imita a ficção...


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A insustentável leveza do sexo...

Essa é a diferença entre rapazes e garotas. Nós queremos prazer, corpo, sexo, companhia. Elas também querem. Precisam até, às vezes. Só que nós lutamos por isso, perseguimos, buscamos, buzinamos, compramos bons sapatos, realmente trabalhamos na situação. Não poupamos nossas munições, planejamos estratégias para que a coisa aconteça, preenchemos tabelas com análises de risco, enfim, nós rapazes realmente dedicamos horas e horas sofisticando nosso currículo. Essa lenga-lenga de que os homens não querem compromisso é bobagem. Nunca fazemos sexo sem compromisso. Estamos sempre comprometidos, você sabe, com o sexo.

Não faz mal se ela é uma versão rascunhada da princesa de Mônaco ou se tem tinta vermelha no cabelo, ouve Ramones e passou uma boa temporada na cadeia por sacrificar animais. Nós transamos com garotas desempregadas, nós transamos com baixinhas, transamos com garotas batizadas com o mesmo nome da nossa tia Ambrósia, nós transamos com garotas pelas quais sentimos desprezo, transamos com garotas que não pagam a conta, nós vamos pra cama com garotas de gosto musical horroroso, isso se elas conseguirem reunir forças para evitar por uma hora e meia seus refrões pegajosos do momento. Não importa como, nós estamos lá, tentando as arrastar para algum lugar mais tranquilo e quente.

Não estamos falando de amor, mas também não de promiscuidade. Estamos falando de democracia, de direitos, de experiências, de diversão, de saúde, de integração, de treinamento específico para o caso de precisarmos repovoar o planeta (todo homem acredita no derretimento das calotas polares). Garotas não, geralmente precisam de contexto, de conexão, de parâmetros, de certificados, de enredos, que antes do sexo você doe três cestas básicas a uma família desabrigada ou que você assine duas vias de um documento atestando que rolou porque ela quis, porque ela sentiu vontade espontaneamente, e não porque você teve lá seu charme, suas armas, seus argumentos, força bruta, dinheiro, persuasão ou qualquer outro mérito. Esse é o problema, para elas sexo é algo grande, é algo que exige algum esforço emocional, sexo é... algo.

Admito que para a indústria cosmética não seja bom negócio as garotas se entregarem mais, e acordarem com os sorrisos mais abertos, as bochechas mais rosadas e os traços mais leves. Fora isso, o que elas têm para se preocupar? Com o que o Papa, a vizinha de baixo ou o comitê feminista vai pensar? Com um pequeno aglomerado de celulites? Não sei. Não sei onde elas querem chegar com essas enrolações especulativas. Sei que o Papa, a vizinha de baixo, as feministas não dão a mínima pra elas. E sei que nós não damos a mínima para celulites, pelo menos os que sabem do que se trata. Após tanto engajamento ativo na causa, deveríamos ser mais levados em consideração.

domingo, 26 de junho de 2011

Cuidar de Você...

Quando alguém de fora não entende nosso amor, brinco que você é quem me puxa pelo tornozelo quando o caos da cidade parece querer me engolir. Ou mando buscar aquela foto bacana que fiz de você com cara de quem não tem nada a ver com minha paz. Ou peço pra voltar ao maio que cedi meu suéter marrom e fiquei na maior pompa, segurando no osso o frio desgraçado. Ali, sem querer, predisse: vou cuidar de você.

Gosto disso, parece que finalmente sei fazer como ninguém algo nesta vida. Faço questão de estar de plantão naquele santo lugar, se num dia cheio de ambulâncias, buzinaços, marmita, cordões de isolamento, betoneiras e esporros desenrolam um fio de impaciência no teu dia, se a usual alegria recolhe a mão, se a tristeza vira um pedacinho teu.

A chave (que você sempre esquece) na fechadura é tua dor se debruçando em qualquer coisa que não pareça um buraco negro sem fim. Me alegro em pensar que meus braços parecem um tanque de calma que você mergulha quietinha, trêmula, menina. Fica ali, aninhada, lavando as manchas da alma, respirando baixinho minha serena confiança de que tudo fica legal, como se meu peito fosse o último tubo de oxigênio de todos os ambulatórios do planeta.

Sou teu ar, a paixão juvenil que nunca teve, teu anjo, teu sonho, teu fogo, aquele ursinho que caiu no poço quando era uma guriazinha esguia. Tem dias que cuido das tuas costas, outro cuido da bata rosa que adora usar e não sabe passar a ferro, outro cuido do teu mundo perfeito, do filme que vai passar, do teu banho, do teu bastante caldo de feijão com pouco sal, das tuas havaianas 37, encardidas, pretas, perdida na varanda.

Ao chegar mais ou menos pelas dez e meia da noite, quando se apagam as luzes da varanda, quando paira a brisa outonal, quando já compensei todas as merdas do mundo fazendo tudo ou qualquer coisa por você, é a hora que a gente se basta, se encontra sem saber que braço é de quem, pra finalizar o dia com algum aconchego, algum prazer.

Ali renovo outra vez que sempre estarei lá, aqui, do lado da calçada onde passam rasantes os carros, abrindo a lata de atum, medindo gotas de tylenol na colher de sopa. Mas sem palavras, só com os lábios mornos procurando tua nuca no escuro dizendo que vou cuidar de você. Aí, minutos antes de você tapar os olhos de mel e recolher o último sorriso, pergunto o que seria do nosso amor se a gente não fosse tão diferente dos que não regam a rotina de poesia e chá mate leão.

As horas passam e parece até que o sol da manhã sabe que acordei do seu lado, antes de você, sem saber que braço era o meu, que fiquei um tempinho te olhando dormir de boca aberta feito nenê, antes de recomeçar todo sacrilégio com um "vem amor, tá na hora de acordar". É minha ruiva, quem ama, cuida. Será tão difícil os outros entenderem?













via cce...

sexta-feira, 4 de março de 2011

São as aguas de março...Mas meu amor é de índio...


Mais um carnaval chegando, muita euforia, muita farra por vir e por aqui muita chuva, pois nesses dias em que São Pedro abriu as torneiras lá em cima com chuva, dia e noite, neblina, garoa, neste início de mês de março, paro para pensar e refletir sobre essa coisa mansa e tranqüila no meu peito, mansa e suave....mansa e tranqüila, mas sempre mansa, sem marear...

Isso realmente me assusta pois como na letra da música, que escolhi como enredo e fundo musical dessa história de amor que hoje eu vivo, retrata exatamente como vai meu espírito, e não a batida descompassada de um axé baiano que era minha vida amorosa, com trocadilhos de nomes de acordo com a semelhança física de alguma ex paquera ou piriguete, com uma cantora ou atriz, tipo a Cláudia Raia ou a Cléo Pires, ou mesmo aquele refrão que todo mundo sem querer canta: vô não, quero não, posso não, minha mulher não deixa não, quero não, não vou não, muito ao contrário de tudo isso, não encontro defeitos, não tenho discussões, muito menos diferenças, ou semelhanças, simplesmente tudo flui...tudo se encaixa...então vou sim, quero sim, posso sim....e minha namorada confia em mim....

Ah, quanto tempo eu procurava essa paz, aconchego, entendimento e satisfação, o sexo é mais gostoso, a fantasia é mais quente, os dias de chuva acompanhados dela, sentindo o cheirinho de café fresco recém coado, com o perfume que lembra melancias frescas e aquela voz rouca no meu ouvido esquerdo que eu tanto eu gosto...

Mas vocês devem estar se perguntando: E aquele cara? E aquele humor ácido e as vezes romântico? Bem, respondo a essas duas perguntas de uma tacada só....Estou apaixonado e amando, pasmem, encontrei aquela garota que me faz suspirar, pensar numa vida a dois, dividir o mesmo teto, trocar alianças....Muitos podem imaginar e até especular, como isso é possível? Aquele cara, melhor ¨O CARA¨ , o que aconteceu?  O que faz ele estar assim?  Bom, digamos que no momento, estou feliz, e bem resolvido, encontrei uma mulher que não é perfeita, mas que me entende, me apóia e segura a onda quando precisa. 

Digamos que depois de muitas noites regadas a whisk, muitos clones de mulheres perfeitamente inventadas por minha mente criativa, esculpidas a forma e perfeição como a Larissa Riquelme, ou a Bruna Surfistinha,  mas com uma inteligência de uma Premio Nobel de qualquer coisa e Q.I superior finalmente, meus sonhos viraram realidade de uma forma real, tranqüila e totalmente normal, sem aqueles roteiros de filmes melacuecas, ou glamourosas histórias de amor hollywoodianas, meu roteiro de amor, se basta em um olhar profundo,bem no fundo dos olhos, que incluem passeios a dois, viagens, convivência, dormir e acordar juntos, uma trilha sonora calma e envolvente, todas as coisas simples que meu coração sempre buscou e só agora encontrou na simplicidade daquele jeito de mulher que voltou a ser menina ao meu lado, descobrindo o lado bom da vida, e o prazer infindável que a convivência e cumplicidade nos dá, coisas que não tem preço, só vivendo mesmo....e como sempre digo, simples assim...uma bossa que virou amor...um amor de índio...