Tá certo... Finalmente depois de horas, semanas a fio de planejamento, finalmente bolei um plano infalível para ter você comigo, inspirado na saudade do teu cheiro, na lembrança das suas mãos alvas com aquele esmalte clarinho, e esse plano meio louco, até tosco, consiste em você fingir fazer um jogo duro, me repelir como se eu fosse um pedreiro de obra todo sujo, esculhambado e ressentido, mas que quando faz aquela cantada grosseira, cheia de sacanagem, e arromba a porta da tua casa igual um tarado, bem como suas pernas e sua inocência nada perdida, faz você sentir seus pés saírem do chão, tira todo peso do mundo dos seus ombros franzinos, e tudo desaba, desanda, e você diz no meu ouvido baixinho, com um fio de voz e uma esperança de que tudo seja verdade, que seja real, que mesmo sendo a maior cagada da sua vida, que você nunca imaginou haver tanta culpa no céu, que o mundo ficou colorido, em tons do arco íris, que tudo é perfeito e as pessoas ficaram legais e se amam de verdade, depois que eu encasquetei que quero você pra mim, para sempre. Sempre sorrindo mais que os músculos da face possam suportar, e eu concordando acariciando seus cabelos vermelhos e mordendo sua orelha, falando baixinho que nossa história escrita em linhas tortas, de propósito para que nossas historias se cruzassem agora, enquanto eu me esqueço de tudo com seus encantos doces, quentes e úmidos e faço o sexo mais manso e desregrado, e mais irresistível e sexy, e mais carinhoso e duradouro da minha vida, tanto que você se perde em seus orgasmos por birra, ódio, lagrimas de choro e alegria, risos de loucura que se sincronizam com o balançar da sua cintura e pernas enlaçadas em mim, se controlando para não gozar novamente de pirraça, de birra e também de tanta vontade de nunca mais sair de onde você está e nunca mais deixar eu sair de onde eu nunca deveria ter entrado. E depois com beijos molhados gulosos, e mordidas doloridas, virando e rolando seus olhos, me convenço que as maiores paixões, os maiores amores, se acertam nos erros, quando a loucura e a entrega vencem a resistência e os medos de alguma forma. Recomeço com um beijo no canto de sua boca, aquele com um ponto de interrogação, que cabe a você decidir se acaba ou segue em frente ok? Então, vamos? E você pega na minha mão, entra no carro, ao meu lado, e eu te mostro o quanto dá para amar no caminho...
Um blog diferente, de crônicas cotidianas, contos de ficção sobre relacionamentos, mulheres, e homens, viagens, lugares, experiências, opiniões e também sobre outros assuntos, sob um prisma pós nada romântico, bem humorado e diferente. Com releases e releituras, de autoria própria e também de outros autores, com opiniões dos nossos colaboradores, vídeos e playlist de músicas. Connect and Enjoy...
terça-feira, 14 de outubro de 2014
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Onde está o amor???

Nesse mundo maluco de hoje, de gente conectada, antenada nas redes sociais, em que as pessoas não se olham mais nos olhos,e sim olham fotos de perfis feitas em estúdio e trabalhadas no photoshop, muito menos se percebem e se olham, nem de relance, e até mesmo se conversam como antigamente, em uma mesa de bar, a probabilidade de se apaixonar se reduz a quase zero. Elas preferem fazer qualquer outra coisa, estudar, ganhar dinheiro, viajar, viver outras experiências que não seja amar. Basta perguntar para seus conhecidos, fazer uma pesquisa, uma enquete que você chegará a essa conclusão:
-Ninguém mais se apaixona, ou crê no amor, por um simples fato, quanto mais se aprende sobre a vida, mais se sabe sobre suas dores, menos se apaixona. Uma equação simples, mas que se torna um grande problema de álgebra, com várias linhas de funções cabeludas.
O fundamento para esse fato é simples, a paixão nasce da ignorância (inocência), que diz que, quanto menos se sabe sobre você, mais se quer saber, mais vulnerável se fica. Simplesmente se ignora todos os sinais de alerta, de perigo.
A boa notícia, é que como eu disse, nos dias de hoje, ninguém quer saber de ninguém, querem que você se foda, com todas as letras. e só se importam com o próprio umbigo, todo mundo é muito cínico nessa hora.
A paixão virou demodê, coisa passada, antiquada e até brega.
E agora? Não tenho tempo pra isso, tenho sentido um raro momento de maturidade, e pretendo manter essa sensação, o máximo possível, não é como se estivéssemos tomados de um paixão impossível de controlar, e também não é isso que pretendo fazer, acho que tudo tem limite, e o meu já cruzei a muito tempo, tanto é que olho pra trás e não consigo ver mais esse limite. Só a poeira...
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Um amor... Ou quase amor...Ou mais...
Vejo muitas histórias, transcorrerem por meus olhos e minha mente, como filme em câmera lenta, de minha juventude perdida, ou de minha vida adulta um tanto critica e racional demais, que se entrega a mais deliciosa e saudável ociosidade que resulta de uma tranqüila e feliz vida amorosa.
Vejo muitas mulheres de 20,30 e poucos anos ou quase, ou um pouco mais, e me encanto as vezes com suas histórias e suas belezas maduras, seus sorrisos que escondem uma história, bela ou triste, um pouco sofridas ou ainda em busca ainda do amor perdido, ou desperdiçado da juventude, ou vivendo um quase amor...
Quase amor é um lugar estranho e ao mesmo tempo familiar. Quase amor é um sentimento estranho de amar sem nunca ter amado. Quase amor é aconchegante e inóspito. Enérgico e gélido. É como quando você tem um déjà vu ao entrar numa rua ladrilhada dessas de cidade histórica, e tem aquela estranha sensação de que já se ferrou antes. Um lugar aonde você jamais esteve, porém consulta sua memória rígida buscando reconhecer árvores, calçadas e telhados e rostos, cabelos ao contraste da luz e do céu, de cheiros de perfume e jasmim, . Uma saudade abstrata pressiona o peito.
Esse quase amor, que quase sempre nunca acontece, ou sempre se transveste de coisas certas na hora errada, pessoas legais em momentos ruins, emoções confusas que se confundem com amor, esse quase amor, esse quase, que acaba sendo um único sopro de esperança para quem precisa de um amor... Que sufoca o peito...
Essa sensação de quase, que nos impulsiona para que se procure um todo, mas que se vive em pedaços, em fragmentos, como pecas de um quebra cabeça de lembranças do que foi sem nunca ter acontecido, de sensações e momentos que nunca foram vividos, e de um amor que só existe naquela caixinha escondida dentro de nossa mente, esperando somente um coadjuvante para ser interpretado, como um enredo de Hollywood, em avant premiere, um amor, que veio de muitos quase amores, e que finalmente um dia, deixou de pressionar e sufocar o peito.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Histórias sem tempo...
Escrevo quase sempre sobre certezas, ou nem sempre, lembranças ou pensamentos que afloram como epifanias, felizes recordações. Coisas que aprendi, reaprendi, e que só agora começo a entender. Mas normalmente o meu pensamento é um enorme ponto interrogação. O que é que eu fiz? O que é que eu faço? Para que é que eu sirvo? O que vou fazer ?
Sempre ansiei por fazer algo realmente útil. Ajudar pessoas. Viajar para o Japão. Escrever um livro. Ter filhos. Fazer a diferença em algo. Algo que me transcenda, que vire um legado.
Esse é o grande ponto de interrogação, não para mim, mas para você que esta lendo isso agora. O que você fez? O que está fazendo para mudar? Qual o seu legado?
Muitas pessoas contam sua vida, suas angústias, desventuras, e até suas mazelas, como procurassem um psicólogo, uma solução imediata, ou algum tipo de droga alucinógena que desfizesse todas as coisas ruins, decisões ruins e consequências piores, digo apenas que, falo a verdade crítica, independente de qualquer grau de amizade ou conhecimento,com minhas palavras, ou meus consolos verbais (seja qual for o entendimento).Minhas crônicas são nada mais que uma forma divertida de contar minhas historias, (entendam... MINHAS!!!) reais e fictícias com humor ácido e atual, com um bom senso crítico de cada situação, tirando uma experiência inesquecível. Confesso que me assusto com comparações, com identificações errôneas e qualificações desmensuradas de tempo, espaço e contexto.
Na minha auto crítica humana, as comparações com minhas historias e até certas dualidades me assustam, pois o quando ouço certas me contarem seus relatos de vida, digo meu Deus!!! Até tento ser romântico e me inspirar, ver o lado bom da coisa, mas sempre e volta e meia o relato macabro me machuca os ouvidos. O que essa pessoa está fazendo consigo mesma, sonhar é bom, colocar em prática melhor ainda, realizar, isso não tem preço. Acho que essa é a receitinha do bolo da felicidade (se é que existe receita), mas se amar verdadeiramente, e colocar uma pedra em tragédias gregas do passado, é um bom começo, sem dramas, teatros ou jogos.
Pé no chão e uma boa dose de realidade construtiva.
Mas será que “acontecer” é mesmo isto? Ir acontecendo, ir fazendo... Que o extraordinário é um caminho e não um acontecimento?
"Viver é um presente uma dádiva, passar pela vida sem viver, simplesmente passar pela vida sem deixar um legado, filhos, plantar uma árvore, escrever um livro... Que triste isso..."
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Sem tempo...
Ao final deste tempo todo, as vezes e tão raramente, quase nunca, ainda sonho com você, E ainda foi assim até bem pouco tempo atrás, cruzamo-nos em alguma rua do bairro, vinha acompanhada com algumas crianças, e eu estático fiquei ali a observar. Nossa!!! Passaram-se muitos anos, e os anos lhe fizeram bem, amadureceram aquela beleza tosca juvenil, transformando-a em uma mulher linda, segura de sí e sua beleza, reparei nos cabelos longos e bem cuidados, o perfume ainda era o mesmo, tem coisas que não mudam, e continuei a te olhar, te seguir, a alguns metros, buscando seu olhar, seus olhos claros, e você, você olhou através de mim, com aquele sorriso branco, como se não tivesse ninguém ali, como se a rua fosse só sua, um parque de diversão em final de tarde, em uma mistura de sons distantes, imagens em slow motion, e sem parar, continuamos nossos caminhos, cada um no seu, você sem enxergar e eu invisível, como nos tempos da escola, continuamos nossos caminhos. Nada mudou...
A Superação do Amor
Até hoje, nunca vi mas já ouvi dizer que se supera um amor com outro amor. Sempre que escrevo, falo por mim, e minhas experiências pouco ortodoxas com relação ao amor e suas desventuras. Sempre me pego com essa mania besta e até infantil de querer voltar no tempo, nas coisas boas e irresponsáveis de outrora, fico imaginando como seria minha cabeça de hoje, com a minha falta de noção dos meus vinte e poucos anos. Naquela época eu queria saber como era chegar aos 40 anos, hoje eu quero voltar aos 20 em muitos momentos. Posso dizer que hoje estou muito bem, melhor do que na juventude posso assim dizer, mas seria bom se o tempo parasse de vez em quando, que pudéssemos dar um pause, mesmo porque nada dura para sempre, e o sempre, sempre acaba, e se você já se apaixonou de verdade pelo menos uma vez na vida, você sabe do que estou falando, agora se nunca se apaixonou, não sabe, nem conheceu a estabilidade perturbadora do caos anunciado, primeiro em descompassos, parecendo que o coração bate na garganta, depois aquela falta de ar e a boca seca, e uma vontade de estar e ser um, do olhar distante e próximo, das mãos se roçando, do encontro inesperado na padaria, a conversa solta na volta pra casa, coisas assim.
E depois de um tempo, uma desilusão, uma despedida, passando os dias estrebuchado no sofá,acordando as três da tarde, de ressaca, para de noite novamente se perder entre festas sem fim, bocas amargas e beijos secos de batom cor de cereja, procurando apenas pelo perfume, sensações parecidas.
E numa dessas tardes de ressaca, achei uma camiseta sua, rasgada aonde ainda recordava sua tez alva por entre os buracos propositalmente calculados, ainda tinha seu perfume, e a duvida me assolou.
-Ligo, ou não Ligo?
Liguei, caiu na secretária eletrônica. Repeti, De novo, na terceira vez eu de olhos cerrados torcendo, ela atendeu com o sonoro:
-O que voçê quer? Me esqueçe, não me liga mais... E desligou na minha cara. Foi como se tivesse tomado um nocaute do Hollyfield, direto no queixo...bumm
E foi o impulso necessário para entender que aquela garota linda, da pele branca e olhos azuis profundos, realçados pelo cabelo negro, como seu humor, fosse a garota com o tempo de validade vencido, que eu comi e passei mal depois, mas também foi o elixir paregórico, que me fez vislumbrar outras possibilidades. Ela não foi a primeira, nem a segunda, nem foi a última, mas foi uma grande decepção, dentre muitas, foi o produto importado, que estava estragado e que me deixou doente.
A camiseta? Eu a guardei até um tempo atrás, junto com outras coisas, cartões, agendas, fotos, presentes, dentro de uma caixinha de lembranças que, por final coloquei fogo num belo sábado de lua, e lucidez, degustando um bom bourbon, a luz da fogueira e do alívio de ter deixado algumas decepções pra trás.
Exorcizei um lindo fantasma que rondava meu sono e minhas taras...
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Anúncio da Vida Real
Tema desse post...
Em se tratando de relacionamentos, posso dizer que, você pode viver longos períodos bem animado, (diga-se com tesão), e para isso e só você não se envolver com gente afetada e estereotipada, mas com pessoas em que você se sinta bem, e sinta a mesma emoção ao contemplar os olhos e o pôr do sol sobre o mar. Alguém que você sinta que vale a pena juntar as escovas de dente, sem pensar no amanhã, no tempo, nas contingências. Para isso faça um anúncio sincero de você mesmo, enumerando qualidades que você acha importantes para alguém e para você mesmo.
Nos dias de hoje, que a futilidade ganha importância estratosférica, aonde o mais importante que o sentimento, o amor, é ter um álbum com fotos legais na balada em lugares caros e da moda, e status de relacionamento serio no facebook, aonde o imaginário e virtual, valem mais que aquele friozinho na barriga e a língua enrolada sem saber o que dizer.
No virtual, todo mundo é feliz, bem resolvido, com um ótimo emprego, a família é exemplo, tudo funciona, se tem os melhores amigos, uma vida de fazer inveja, mas tudo não passa de uma ilusão, uma peça tragicômica mal enredada por um roteirista de cabaré, alicerçada por uma vida medíocre, sem graça, com gente feia, amigos malas e na maioria bêbados, a família cheia de irmãos, primos, sobrinhos, e coisa parecida, trabalhando pra ganhar um salario mínimo, e aí me perguntam, que mal há nisso? Da minha humilde opinião, nenhum, cada um vive do jeito que quer, se ilude como quer, e transforma sua vida na droga necessária para viver (suportar) sua trajetória ou uma vida a dois.
Mas e de novo perguntam, e o amor? E o tesão? E a emoção?
O amor é uma receita complicada com várias misturas de elementos perigosos e pontos de ebulição e fusão que somadas aos fatores de pré disposição à fatalidade, destino entre outros, determinam o resultado bom ou ruim, diferente de algum tempo atrás, tudo era tão mais simples, e o teatro era cara a cara, se comprava o que se via se apalpava, e hoje, conseguiram transformar tudo em propaganda, diga-se propaganda enganosa, hoje já não se pode se apaixonar a primeira vista, precisa-se da comprovação de que o que você viu é aquilo mesmo, se não é um perfil de rede social, se a produção feita para a balada condiz com a realidade do dia a dia, e do meu ponto de vista prático se os peitos são peitos mesmo, ou silicone ou até mesmo soutien com bojo, e se o caráter se sustenta como um seio natural, ou se cai no pé como uma jaca.
Me acham exigente, mas depois de tudo isso, creio que não sou, ou acho que não sou, tenho certeza que não sou, porque exigir o mínimo, que é gostar de mim como sou e não do que podem tirar de mim, já faz uma grande diferença. É engraçado esse parâmetro peculiar dos relacionamentos de balada, regados a bebida barata. Para mim não existe fantasia, existe química, física, biologia, anatomia, e a psicologia de Freud só serve para explicar o inexplicável, o óbvio ululante e também o que descrevi de mim mesmo, como uma noticia ou tirinha engraçada, romantica, sensual e tarada, atenciosa e carente, que só se encontram, nos classificados de jornal, lá nas ultimas paginas aonde ninguem lê, em letras minusculas.
Me acham exigente, mas depois de tudo isso, creio que não sou, ou acho que não sou, tenho certeza que não sou, porque exigir o mínimo, que é gostar de mim como sou e não do que podem tirar de mim, já faz uma grande diferença. É engraçado esse parâmetro peculiar dos relacionamentos de balada, regados a bebida barata. Para mim não existe fantasia, existe química, física, biologia, anatomia, e a psicologia de Freud só serve para explicar o inexplicável, o óbvio ululante e também o que descrevi de mim mesmo, como uma noticia ou tirinha engraçada, romantica, sensual e tarada, atenciosa e carente, que só se encontram, nos classificados de jornal, lá nas ultimas paginas aonde ninguem lê, em letras minusculas.
Depois de um tempo... O retorno
Música que esta rolando...
Desenterrei muitas coisas legais, histórias hilárias e algumas até broxantes. Bem chega de blá blá blá e vamos lá...
Depois de uns meses de férias, algumas (muitas) viagens, muita gente diferente (nova), algumas experiências legais, retorno ao blog, escrevendo situações cotidianas, falando sobre assuntos diversos e outras atualidades de relacionamentos e, mulheres( meu tema preferido!).
Desenterrei muitas coisas legais, histórias hilárias e algumas até broxantes. Bem chega de blá blá blá e vamos lá...
Nesses meses de férias ou como digo, dias e dias de pura preguiça mental, ócio contemplativo, e sessões de nostalgia juvenil, me fizeram relembrar algumas figuras de minha juventude como um filme de sessão da tarde, as aventuras que muitas vezes eram regadas a puro whisk, boa música ( para criar coragem, já que sempre me achei um cara sem atrativo) e mulheres... Ah sempre elas...
Ora, vocês devem estar se perguntando? Que porra é essa? O que tem a ver?
É por trás dos copos de uísque que já tomei, se escondem muitas histórias, algumas tão verdadeiras que não deram certo, outras mais falsas do que uma nota de 3 reais, não por serem falsas no sentido da palavra, mas por não valerem um vintém por sua essência tosca, que renderam historias como essa. Eu admito que houve um tempo em minha vida que me perdi, pelo meu medo, por não ter confiança no meu taco, ou pelas minhas desculpas esfarrapadas e pelo meu gosto nada convencional por paladares fortes aventuras extravagantes e nem um pouco suaves, bem diferente da minha visão de hoje. Vou pular toda essa enrolação e explicar-lhe essa parte da minha história. Mas, antes, um aviso: eu gosto de brincar com metáforas e usar delas pra demonstrar mais inteligência do possam supor entender, e interpretar de varias formas, de acordo com a conveniência do momento. E esse português rebuscado cheio de vírgulas e construções verbais não tem nada de culto, nada mais e do que um pretexto articulado e envolvendo do que eram minhas aventuras.
Eu frequentava um boteco todos os dias, eram idos dos anos 90. Era genial a visão de mulheres bonitas, de todos os jeitos, era o point da época, e elas desfilavam disfarçando a sua futilidade com um sorriso, a gana de arrumar um trouxa, e a percepção de que morrem de medo de ficarem sozinhas. Tinha também desses caras que gastavam todo o salário pagando drinks na esperança de levar uma delas pra cama. E tem os típicos canalhas bonitões que só piscavam e conseguiam a gata da noite numa bandeja. Meu tipo era mais discreto, desses observadores. Não me entendam mal, eu era mais simpático até do que bonitão e na época tinha bastante dinheiro que o sucesso no mercado pecuário pôde me render. Usava jeans e botas importadas bem na moda, com cortes que caiam bem. Toda aquela bobagem da moda fashionista que alguém comentou um dia que era legal e as mulheres gostavam. E faz muitos anos que eu não vejo a mínima graça em algum desses personagens, além do meu copo e da garçonete gostosa que o enchia, que me vagam na memoria ate hoje.
Eu não me achava nem me acho o cara certo pra falar de amor. Um ilusionista, talvez, quem sabe. Eu tinha meus encantos, e conseguia lá as mulheres que queria com um bom papo e uma forma de conduzir na dança que só eu sabia, com ritmo e molejo.. Altas, baixas, magras, esbeltas, latinas, europeias, paraguaias, todo tipo que você pensar. E você acha que eu era feliz? Era muito... ou não era nem um pouco. Eu disfarçava a maior frustração da minha vida até então, com noites de farra e amigos num apartamento bem localizado no coração da cidade, na Avenida Mato Grosso, ou nos locais da moda e pegação. Eu era um desses desiludidos iludidos da vida que nunca iriam encontrar a garota certa (pelo menos eu achava isso!) pelo simples fato de já tê-la encontrado e ter perdido a oportunidade (ledo engano). Coisa de garoto novo que não sabe lidar com a pressão do dia-a-dia e com as tensões de um relacionamento sério. Aquele medo de perder a liberdade, de se prender, de perdê-la em caso de passo em falso, uma mijada fora do pinico. Hoje em dia eu posso dizer que é tudo um bando de bobagens que a gente inventa pra não se privar de viver algumas coisas boas da vida e de quebrar a cara com elas. Eu podia ter quebrado a cara uma, duas, três vezes, cem vezes e estar com ela agora (ou não...) Ou ter me dado muito bem na conduta do relacionamento e ele ter chegado ao fim do mesmo jeito. Mas não, eu simplesmente tive medo de seguir em frente e fiquei parado la, naquela mesa. Ela seguiu.
E essa casca grossa revestida de sucesso e confiança só servia conquistar mulheres bonitas que durariam umas poucas semanas na minha vida. Perdi o interesse por quem não me jogasse no chão e me fizesse mudar toda a minha visão de mundo (engraçado isso...). Se não for pra ser assim, não precisava nem vir. Jogos de conquista eram meu ponto fraco, mas até disso eu enjoei depois de um tempo. É aquela velha história: chega uma hora em que se não for pra ser amor, que seja nada. E que durasse tão pouco quanto uma garrafa de vodka na mesa de um alcoólatra. Não sou romântico, não. Longe de mim. Sou mais um homem que resolveu contar, uma parte decepcionante e enriquecedora da vida a vocês, em que a maior desculpa da minha vida era que não servia para relacionamentos (ou não servia até alguns anos atrás). Eu sirvo se for com quem também me serve da maneira certa (mudei muito...). Meninas bonitas seriam apenas meninas bonitas depois da festa, e uma doce lembrança de conquista em um caderninho. Mas e tudo aquilo que interessava? Aquela preocupação em atender um telefonema ou mandar uma mensagem bem escrita. Tudo aquilo que era fundamental numa relação que não encontrava em mais ninguém? Acreditem, não estou comparando meus relacionamentos com o que ela, e outras foram em minha vida. Só digo que ela, (e também todas as outras..) me estragaram (melhoraram...) pro mundo. E eu sou e vou continuar sendo (...) sempre aquele cara com que não se tinha a possibilidade de futuro nem de um presente breve. Hoje vejo que tudo isso são cicatrizes de guerra, marcas que exibo com um certo orgulho hétero...
E pode confiar em mim. Existem e sempre vão existir mais alguns caras sentados em bares ao redor do mundo, rindo da vida, destilando a imagem do sucesso e da felicidade. Eles se sentem mais vazios que o meu copo naquele momento de mais de vinte anos atras. Caras como eu eram, e ainda são mais comuns do que vocês imaginam. E mulheres bonitas ou não, também continuam sua historia de batalha, exibicionismo e conquistas em busca do amor, ou de um besta para lhe bancar as contas.
Ah tempos bons eram aqueles...
Ah tempos bons eram aqueles...
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Minha melhor metade....
A sua melhor metade não respeitas linhas. Pula cordas, desvia de cercas e brinca de subir em árvores para estar com você. Ela não é uma das metades comuns que você encontra pela vida, nem uma das metades que você já esbarrou por aí. Ela é sua, e não de outra pessoa qualquer. A sua melhor metade não te completa, mas te faz companhia. Ela é melhor que uma metade só porque é um inteiro. E se doa por inteiro pra ser mais que um só com você. A sua melhor metade é bonita sem espelho e reflete em você de forma que nenhum deles pode ver. Ela é passageira ou fica pra sempre. Ela já veio ou ainda vai vir ou pode ter ido embora. Mas não adianta que escrevam canções e escrevam roteiros e escrevam histórias e escrevam destino e se esqueçam dos pontos e se esqueçam das vírgulas e se esqueçam de tudo: a sua melhor metade continua sendo sua.
A sua melhor metade nao sabe andar de bicicleta e segura o banco pra você não cair. Ela atravessa a rua ajudando velhinhos e te deixa admirado do outro lado com a bondade. Ela sabe ser gentil com o garçom por natureza e não vai traçar planos e fundos para te impressionar. A sua melhor metade falha e pede desculpas. Ela se fere e se machuca e se perdoa e te perdoa e fala coisas da boca pra fora e bate a porta e vai embora e volta arrependida. Mas é só sua quando olha bem fundo nos seus olhos e começa a rir, porque ela não consegue manter um ar sério perto de você. É que você contagia a sua melhor metade com algum riso, por mais estranho ou alto ou fino ou fora de ritmo ou fora de ordem ou fora de tom que você seja. A sua melhor metade joga no celular aquele joguinho chato e se veste bem dependendo da ocasião. Ela entra em lojas e faz caretas na vitrine e se acha infantil e te dá colo quando você sente falta de casa. Ela é meio criança, assim como você. Ela é teimosa e faz biquinho, independente do sexo, da cor, da religião ou do assunto do momento.
A sua melhor metade canta opera italiana e não fala inglês e lê livros que você nunca ouviu falar. Ela coleciona um montão de lembrancas de lugares e adora tocar o sino da porta da frente pra avisar que chegou. A sua melhor metade é uma surpresa. Porque não sabe quando vem, mas ela vem. E vem com flores ou com vinho ou com rosas ou com aquele vestido-cor-de-mar ou com aquele chapéu engraçado ou vem sem nada e deita com você. Ela é quente e te faz sentir calor no frio e calor em dias de sol. Ela te faz transpirar de alegria, de felicidade, de frio na barriga, de medo de perder, de dor de barriga porque comeu muito bolo de chocolate. Nah…a sua melhor metade é comilona, sim. E você acha graça quando ela se lambuza de chocolate ou faz bigode de café ou suja o nariz de sorvete ou joga creme chantilly no seu rosto ou quando faz a barba de shampoo.
A sua melhor metade não está num conto de fadas, nem num reality show, nem nos tal bares e esquinas e muito menos nessa vida virtual que você leva. Ela tá por aí ou por aqui e não tem nada de encantadora aos olhos dos outros. A sua melhor metade toca flauta e faz um som de vez em quando e você passa direto e parece nem ouvir (mesmo que isso seja dentro de casa). Ela é humana e você se esquece disso às vezes jogando toda a culpa, ou a calma, ou o amor, ou a esperança ou o que quer que seja em cima dela. Mas calma… Não se preocupa. Ela é sua. Tão sua que faz barulho baixinho pra não ter acordar e anda na ponta do pé por aí. Tão sua que fica corada quando você olha de relance e descobre um olhar terno e meio abobado na sua direção. Tão sua que é pura desordem, puro pudor, pura energia e pura fantasia (igualzinha a você). Ela te faz inteiro e te dá a mão no fim do show, da padaria, da roda de samba, do shopping center e te deixa conduzir a coisa toda. A sua melhor metade gosta de te ver dormindo e dorme junto ou do outro lado do mundo pensando em você. Ela é meio suave e calma, meio nostálgica e todas essas coisas que você já sabe de cor. A sua melhor metade, na verdade, é como essa canção de ninar que você toca toda noite. Boa noite, meu bem.
Assinar:
Postagens (Atom)
